quarta-feira, 22 de março de 2017

Texto enviado pelo seguidor William Lopes.

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As aventuras da Garota Impossível e a Cidade da Perdição

Na entrada da cidade tem um guarda. – Quem vem lá!? – Grita o guarda
– Lá aonde? – pergunta a Garota Impossível
O guarda coça a barba e fecha os olhos bem fechadinhos.
– Quem é você?! – grita ele novamente
– Sou a Garota Impossível. – responde ela.
– Isso não é possível.
– Foi o que eu disse.
– Que tipo de pai dá um nome assim para uma garotinha?
– Esse é meu codinome, seu bobão. – Chega perto do guarda e sussurra – Meu nome é secreto.
O guarda olha a garota de cima abaixo.
– Muito bem, senhorita Secreto. O que te traz à Cidade da Perdição?
– Minhas pernas. Por quê?
O guarda aponta o dedo na cara da garotinha e começa a gritar.
– Olha só, mocinha! Eu estou tentando fazer meu trabalho aqui! E você não está ajudando!
– Calma, moço. Não precisa ficar nervoso. – Ela enfia a mão no bolso e tira um papel – O Prefeito Porco me mandou essa carta pedindo a minha ajuda para resolver um mistério. Olha aqui, ó.
– Deixa eu ver isso. – o Guarda, já mais calmo, pega o papel. Pela primeira vez a conversa estava indo por um caminho que ele estava acostumado. – Parece autêntico.
– E aí? Posso entrar?
– Mas é claro, senhorita Secreto. Seja bem vinda à Cidade da Perdição.
***
Entrando na cidade, pisando apenas nos tijolos pretos do chão, nossa heroína é surpreendida por Pedro, o Homem Rato, correndo em sua direção e falando depressa:
– Garota Impossível! Que bom que você chegou. Precisamos de ajuda! O Prefeito Porco perdeu a cabeça!
– Ele enlouqueceu?
– Não. Ele perdeu mesmo a cabeça. Venha comigo.
Eles correm em direção à prefeitura, passando pela escola do Professor Sem Nome com sua bela placa em branco, pela placa da cidade com os dizeres “Bem vindos à cidade da Perdição. Tente não se perder. Obrigado”, pela gangue dos ladrões mágicos com suas belas cartolas, e quase atropelando o padre, o Senhor Louva-a-Deus.
– Benção, padre. – diz o Homem Rato. O Padre Louva-a-Deus faz um gesto com as patas e um barulho estranho.
– Alguém entende o que ele fala? – pergunta a Garota
– Acho que não.
Finalmente alcançam a prefeitura, onde encontram o Prefeito Porco Suíno andando por ali sem a cabeça, esbarrando nas paredes.
– Trouxe a Garota – diz o Rato
– Que bom que veio, menina – fala a vice-prefeita Clara, sentada na mesa do prefeito. – Precisamos da sua ajuda.
– O que houve vice-prefeita? – pergunta a menina.
– Como pode ver, minha querida, nosso querido prefeito, o senhor Porco Suíno, acordou hoje sem cabeça. Ele a perdeu. E não conseguimos encontrá-la em lugar nenhum.
– Que mistério! Isso parece um trabalho para a Garota Impossível.
***
– Carambola! Acho que perdi meu caderninho de anotações! – Reclama a Garota.
– Isso sempre acontece por aqui. – Explica o Homem Rato mexendo em seus bigodes brancos – Todo mundo perde coisas o tempo todo.
– Esta não é a Cidade da Perdição por nada – completa a vice-prefeita
– Entendi. Acho que temos um ladrão-em-série aqui. – diz a Garota. – Não se preocupe vice-prefeita Clara, eu vou pegá-lo.
Nossa heroína passa o dia entrevistando os habitantes da cidade: o Professor sem Nome, que perdeu seu nome já no dia do nascimento; o Peixeiro Bill, que perdeu o olfato; a Pirata Ninja, que perdeu sua perna e um olho; o Dr. Tamanduá, que perdeu sua bandeira; a Cavaleira Andante, que perdeu seu cavalo; a Dona Maria, que perdeu uma torta na janela; e o Povo do Esgoto, que perdeu suas casas.
Os casos não parecem ligados, nenhuma das entrevistas indica o possível serial-ladrão e a Garota sente que está deixando alguma coisa passar. “Se tivesse meu caderninho seria tudo mais fácil”, pensa ela, “Mas não é hora de desanimar!” Ela segue com a investigação.
– Quem é aquele? – pergunta ela apontando para um homem. Ele estava parado há horas imitando a estátua do Homem que Aponta para o Oeste.
– Aquele é o Varrido – responde o Homem Rato – Ele é doido.
– Vou conversar com ele.
– Não sei se isso vai ajudar muito.
– Não custa tentar, não é mesmo?.
***
– Olá senhor Varrido – diz a Garota Impossível – Podemos conversar?
– Agora não – responde o louco. – Estou ocupado tentando ser uma estátua. Desculpe.
– Para mim, você já parece uma estátua.
– Sério?
– Sim. Me convenceu.
– Bom… – ele parece pensativo – Acho que terminei por aqui, então. Podemos conversar agora.
Os dois sentam em um banquinho perto da Fonte Quebrada dos Desejos e dividem um sanduíche de tomate:
– O prefeito Porco Suíno perdeu a cabeça. – diz ela.
– Eu sei. – Ele responde.
– Estou tentando entender as perdas que acontecem na cidade. O senhor perdeu alguma coisa?
– Você não entenderia criança. – a voz do Doido Varrido é tranquila – Eu perdi tudo.
Se entreolham e depois ficam em silêncio por algum tempo olhando para a água.
– Você parece mais esperto do que louco. – disse ela. – Sabe de algo que eu não sei?
– Sei de muitas coisas que você não sabe, menina. Nenhuma delas faz sentido.
– Eu não entendo.
– Me deixe explicar.
O louco levanta e para na frente dela, como um professor.
– Esse mistério que você procura resolver não faz o menor sentido. Não para você. – diz ele. – O problema surge do meu lado da realidade e a solução está aqui, muito clara para mim. Você nunca vai encontrar enquanto procurar aí desse lado. Você precisa vir para cá. Você precisa perder o bom-senso.
O homem louco faz uma pausa e se aproxima da garota.
Mas antes você precisa se perguntar: “Será que vale a pena?” – e vai embora.
***
A Garota Impossível fica ali, sentada, pensando por algum tempo: “Mas é claro que vale a pena. Eu sou a Garota Impossível, nenhum mistério é impossível pra mim. Será que eu consigo perder o bom-senso?” e “É claro que consigo. Eu estou aceitando conselhos de uma maluco, ora bolas.”.
Nesse momento, nossa heroína resolve enlouquecer. Corre com os cachorros pretos da senhorita Margarida; grita com as árvores; toma banho na fonte; se transforma em estátua; tem uma conversa telepática com o Prefeito Porco “Agora Sem-Cabeça” Suíno e joga xadrez sozinha.
Finalmente, durante uma luta de vida-ou-machucados contra o Coelho-realmente-feroz, ela encontra a resolução para o mistério. É idiota? Sim. É sem-noção? Também. Mas com certeza iria funcionar. Ela continua lutando com o coelho até ser derrotada.
***
Mais tarde, o prefeito Porco Suíno, agora com cabeça, entrega à Garota Impossível, a medalha de heroína-nomeadora da cidade. Ela se despede de todos e se prepara para ir embora.
Já no caminho de volta, ela bate a mão no bolso da camisa para garantir que seu caderninho de notas recém encontrado ainda está ali. Ele está. E nele, a história da cidade e de como seu novo nome, Cidade da Achação, resolveu um mistério que não fazia o menor sentido.
A Garota Impossível chega em casa na hora do lanche da tarde. Ela come seus biscoitos com leite enquanto pensa na aventura de amanhã.
Ela sorri. 
FIM?

Texto enviado por Willian Lopes, autor do blog Lugar Nenhum.


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36 comentários:

  1. Gente, quanta imaginação!Mente super fértil, divertido, adorei!

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    1. Pois é, muuita imaginação. Que bom que gostou. Beijos.

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  2. gente que criativo queria ser assim rs adorei

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  3. Amo essa interação com os leitores, adorei a criatividade do Willian

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    1. Também gosto muito de interagir com meus leitores. Que bom que gostou. Beijos.

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  4. Que narração mais linda, entrei literalmente na história, que amor, acho que sempre precisamos imaginar novas aventuras e também tira-las do papel.

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    1. Ficou linda mesmo, que bom que você gostou. Com certeza. Beijos.

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  5. oi
    Gostei do texto é ótimo e muito bem escrito.
    Parabéns Willian ;)
    bjo

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    1. Ou. Que bom que gostou, ficou realmente muito bem escrito. Agradeço, em nome do Willian. Beijos.

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  6. Muito legal o texto e sua iniciativa de publicar textos de leitores, parabéns.

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  7. Ótima criatividade, gostei do texto, muito bom!
    Bjs ❤
    My Silva

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  8. Bem interessante esse texto, já vi um filme para as crianças com essa história hahaha, ou Alice no país das maravilhas

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    1. Que bom que gostou! Ler é muito bom para a mente. Beijos.

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  10. Ótimo texto,que criatividade adorei *-*

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  11. Oi,
    ah lindo o texto,
    ficou perfeito mesmo.
    Beijos

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  12. Nossa que lundo! Entrei literalmente na história! Ameiii ameiii

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    1. Muito lindo mesmo. Que bom que gostou. Beijos.

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  13. Já disse o quanto amei esse seu projeto? Adorei o texto também!

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  14. Adorei a ideia de dispor um espaço para que os leitores possam mostrar seus talentos.

    Muito bom o texto, amei mesmo.

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    1. Que bom que gostou. Ficou mesmo lindo. Beijos.

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  15. Que iniciativa legal de postar um texto do leitor! Parabéns!!!! Texto é bem legal, gosto de narrativas de dialogo, me lembram os roteiros. Beijos

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    1. Que bom que gostou. Obrigada. É bem legal mesmo. Beijos.

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