segunda-feira, 15 de maio de 2017

Entrevista com o autor Daniel Barros

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A entrevista de hoje é com o autor Daniel Barros, que é nosso parceiro.

Entrevista:

1-  Daniel, quando foi sua primeira publicação e qual foi?

O desejo de expressão é inerente à espécie humana, potencializado quando se refere ao sentimento. É preciso pôr para fora para não sufocar. Como dizia Paulo Leminski no poema “Pergunte ao Pó”: “... o que a gente sente / e não diz / cresce dentro”. Comecei a escrever justamente por essa necessidade de expor sentimentos e ideias. O sorriso da cachorra é uma história divertida e prazerosa. Entretanto, sem esquecer o espírito de denúncia que nós, os escritores nordestinos, temos.


2- Quais são seus livros já publicados?


O primeiro O sorriso da cachorra, Enterro sem defunto (romance policial) e Mar de pedras. O quarto está em  fase de revisão: canto escuro (romance policial).

O sorriso da cachorra é uma novela que basicamente conta estória de um casal de adolescentes que se apaixona e vive todo um encanto de amor juvenil e também todas as agruras e inseguranças da adolescência, tal paixão se passa na paradisíaca Maceió e em tempos de chumbo, finja nos estertores da ditadura militar, quando o casal se envolve no processo de redemocratização do país. Apesar de ser uma novela leve, apresenta um final um tanto pesado. Ah! O título poderia ser tema de um baile funk, mas não é bem assim. O livro, pelo contrário, como diz o poeta Ivan Marinho no prefácio: “A novela O sorriso da cachorra, se poema, seria uma ode à paixão, com toda sua ousadia, encantamento, ilusão... e loucura.”



3- Dos livros de sua autoria, qual é o seu preferido?

Discordo de alguns colegas que afirmam que livros são como filhos. Para mim não são, pois nesse caso, gosto sempre mais do caçula que dos demais. O que seria uma injustiça, porém, para fugir do mal, que assola nossa sociedade, a hipocrisia, digo-lhes: no fundo, nós pais temos a preferência por um deles, mas não podemos revelar para não causar ciúmes nos outros (riso).



4- Pretende publicar mais algum livro? Se sim, quando?

Quando terminei O Sorriso da Cachorra, meu maior medo era não ter folego para escrever outro livro, e ser escritor de um livro só. Hoje o meu maior medo é não evoluir nas próximas obras. Neste sentido tenho tido boas críticas sobre a minha possível evolução, e, portanto, o trabalho se torna mais árduo.
Sim. O livro Canto escuro já está pronto, em fase de revisão, que é a parte mais trabalhosa, mas deve ser lançado em 2018. É um romance mais denso, mais introspectivo, com um cuidado maior na construção dos personagens e do enredo.

5- De onde tira inspiração para escrever?

"Se queres ser universal, escreve sobre a tua aldeia." Tolstoi.
A vida, as pessoas que me cercam, o ambiente em que vivo, sobretudo, as ideias e os sentimentos inerentes à condição humana. 

6- Algum dos seus livros foi inspirado na sua vida?

Mais uma vez recorro à citação de outro mestre, desta vez Jorge Amando que dizia: “Todos os meus personagens têm um pouco de mim e das pessoas que conheço.” Só pretendo escrever minha biografia quando estiver perto de morrer, portanto espero que não seja por agora (risos).

7- Há algum autor em que você se inspire ou do qual seja fã?

“Vixi!” Vários. Poderia começar pelo autor que me inspirou a tornar-me escritor: Ernest Hemingway, um escritor que deixou uma belíssima obra e uma história de vida fascinante.
Jorge Amado, com certeza me influencia muito, até hoje. Como disse o presidente da Academia Petropolitana de Letras-RJ Gerson Valle, sobre minha obra: “... De alguma forma, refletem o hedonismo dos romances de Jorge Amado.”
Citaria também as influências literárias de minha terra, Alagoas: Graciliano Ramos, Lêdo Ivo, Jorge de Lima e Ivan Marinho. Tal qual eles, escrevo com a alma de nordestino sofredor e injustiçado e como disse Lêdo Ivo: “... nós, romancistas do Nordeste, denunciadores incômodos e incorrigíveis da pobreza e da injustiça, dos pesadelos e das calamidades, sempre nos distinguimos de nossos confrades do Centro e do Sul pelo nosso ar de estrangeiros, de emissários desse interminável Oriente que é a nossa terra natal.”
E muitos outros... Em outra entrevista foi perguntado sobre o encontro de gigantes em Mar de pedras: “Em Mar de Pedras Jorge Amado encontra Hemingway, quais as suas influências literárias?” Respondi: “Realmente um encontro de gigantes! A virilidade e valentia dos heróis Hemingwaynianos e a malandragem e a realidade dos anti-heróis de Jorge Amado. Em comum, as aventuras e a boêmia de ambos. Não há dúvida que são minhas maiores influências, mas não poderia deixar de citar Bernardo Guimarães e Marcel Proust, onde a riqueza de detalhes é marcante, riquezas essas que já me rederam algumas críticas negativas. Não poderia deixar de fora o mestre Rubens Fonseca, para mim o maior escritor brasileiro de literatura policial. Dele busco o cuidado técnico da informação colocada no enredo, sem furos por falta de conhecimento, o que é muito comum na literatura policial. Para você ter uma ideia, um premiado escritor e jornalista teve o disparate de escrever que seu personagem, ao ouvir um barulho na porta, ‘destravou sua pistola Glock e...’ Ora! As pistolas dessa conhecida fábrica austríaca não apresentam travas, apenas um mecanismo no gatilho, que ao ser acionado libera a arma para o disparo. Nesse mesmo livro ele cometeu outros equívocos, que poderiam ser facilmente eliminados, se ele tivesse a humildade de consultar um profissional da área.”

8- Qual seu livro preferido? 

Inúmeros! Romance: Ninho de cobras, de Lêdo Ivo; poesia: Sortilégio Possível, de Ivan Marinho, e histórico: Os sertões, de Euclides da Cunha.

9- Você segue algum método para escrever? Mantém fichas de personagens, esboços, desenha previamente as cenas ou é mais intuitivo?

Normalmente começo pelo fim. Penso no desfecho e desenvolvo em cima daquela ideia. E, para minha surpresa, descobri que esta técnica, era um método ensinado nas oficinas literárias ministradas por Gabriel García Márquez. Quanto aos personagens, estes surgem naturalmente, mas, à medida que escrevo, eles vão tomando formas e crescem. Às vezes, uma personagem que a princípio seria um coadjuvante cresce e se torna grande. Aconteceu em Enterro sem Defunto. Catarina era para ser apenas a namorada de Alcides, mas de repente cresceu ao ponto de ser, talvez, a personagem mais forte do livro. Em Mar de Pedras isso ocorre com Carolina.  Não quero dizer com isso que eles tenham vontade própria, não! Quem manda é o autor, mas tem personagens que nos conquistam.

10- Que dica você daria para quem planeja escrever um livro?

Ler, ler e ler! Escritor que não lê nunca se tornará um grande autor. 

Obras do Autor:


















O que achou da entrevista? Conhece alguma das obras do autor? Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós e responderemos assim que possível.

25 comentários:

  1. Ficou muito feliz, em ver uma jovem, Laura Militão, tão talentoso e usando esse talento para a arte. Obrigado

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    1. Oi Daniel. Fico muito feliz que esteja gostando de meu trabalho. Grande talento tem você, pois seu livro é maravilhoso. Obrigada você.

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  2. Grande escritor que está evoluindo a cada obra.

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    1. Não pude ler muito do trabalho de Daniel ainda, mas oque já li já me faz concordar plenamente com você.

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  3. Entrevista para ler e reler. Interessante que o escritor Daniel Barros se apresenta tanto como autor (de obras literárias) quanto de leitor de poetas, romancistas e historiadores consagrados. Para além de uma entrevista: uma aula de literatura e uma dica importante (dentre tantas): ler para escrever e vice-versa. Concordo, Daniel Barros

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    1. Nobre escritora, muito obrigado por tão generosas palavras. Obrigado

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    2. Concordo. Eu não esperava tanto de uma entrevista. Foi simplesmente maravilhosa, e trouxe ensinamentos que eu que sonho em ser escritora irei levar para minha vida inteira.

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  4. Parabéns pela excelente entrevista. Também, temos que ser sinceros ao reconhecer que o entrevistado ajudou em muito para o resultado. Autor fantástico que com seu humor e sabedoria soube nos brindar com excelentes OBRAS. Abraço, seu eterno leitor Targine.

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    1. Obrigada. Sem dúvidas as respostas do autor foram tão maravilhosas quanto creio que todas as suas obras são.

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  5. Grande Daniel! Sempre muito inspirado, seu sucesso como escritor é só uma questão de tempo. Suas obras são belíssimas, fruto de um trabalho sem ruptura, como a água que jorra da fonte cristalina. Parabéns

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    1. Também creio que o sucesso do trabalho de Daniel seja apenas questão de tempo. Um ótimo trabalho em que vale muito à pena ele investir.

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  6. Meu amigo irmão Daniel, apesar da distância, sempre vibro com seu sucesso, cada livro que você escreve me surpreende mais, ótima entrevista, e está faltando você fazer mais um lançamento em Maceió, abraço.

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  7. Ler a primeira obra já nos desperta a vontade de a curiosidade de ler as próximas! Parabéns pela evolução e pela forma da escrita que consegue prender o leitor na obra!!

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    1. Sem dúvidas concordo com você. Quanto mais leio do trabalho de Daniel mas sinto desejo de ler.

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  8. Parabéns pela trajetória! É um prazer poder acompanhar sua evolução como escritor e uma honra maior poder ter em cada publicação a dedicatória carinhosa do amigo!

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  9. Mais uma vez mostrando seu Talento e competência,parabéns Daniel.Não tenho dúvidas que teremos muitos outros sucessos escritos por vc.Sucesso sempre.

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  10. Oi, Laura.
    Sou parceira do autor, já li Enterro Sem Defunto e adorei o livro. Em breve irei ler Mar de Pedras que também parece ser ótimo, além da capa ser linda! Adorei suas perguntas e as respostas do autor!

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    1. Ei Ana. Estou lendo Mar de Pedras e tenho certeza de que você irá amar, já estou ansiosa para ler outras obras do autor, não poderia ter feito parceria melhor. Que bom que gostou da entrevista. Beijos.

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  11. Esperando o próximo lançamento! Sucesso, amigo!

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    1. Também espero ansiosa pelo próximo. Daniel merece muito sucesso.

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  12. Oi oi laura,
    adorei a entrevista. Sempre gosto de conhecer mais um pouco os autores, e o Daniel um autor (que pra mim era desconhecido), se tornou uma otima pessoa. Espero conhecer suas obras em breve.

    Beijoss, Enjoy Books

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    1. Ei flor. Que bom que você gostou. Também adoro saber mais sobre eles. As obras do autor são maravilhosas, você vai adorar. Beijos.

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  13. Ótima entrevista. DANIEL BARROS é um daqueles escritores que, quem lê um de seus livros, vira fã e quer ler os outros. Achei interessante o que ele falou sobre começar a escrever começando do FIM. Eu, sem saber que isso é uma técnica, também faço isso ao compor alguma música (neste caso o "fim" seria o refrão) ou escrever um texto qualquer, pois acredito que, partindo do FIM, fica mais difícil de deixarmos "furos" na história e ajuda a "amarrar os fatos", já que temos um "fim" definido.

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    1. Que bom que gostou. Foi exatamente assim que me senti ao ler Mar de Pedras. É realmente uma técnica muito interessante à ser usada.

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  14. Obrigado nobre escritor. Aguardo o lançamento do seu livro

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