sexta-feira, 30 de junho de 2017

Entrevista com o autor Glauco Freitas

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A entrevista de hoje é com nosso parceiro Glauco Freitas.

Entrevista: 

1- Além de escritor, o que mais você faz?
Eu trabalho como ins­trumentador cirúrgico em dois hospitais de Curitiba. Além di­sso sou pai de um me­nino de 2 anos e mei­o, então isso toma praticamente todo o meu tempo livre.


2- Quando foi que es­creveu seu primeiro livro e publicou-o?
Bom, meu primeiro li­vro publicado é A Al­cateia, que foi lanç­ado em Ebook no final do ano passado e em formato físico ago­ra em maio, mas esse é meu quinto livro. Dos outros quatro, dois já foram reescr­itos e vou publicar o primeiro deles ain­da esse ano. Os outr­os dois ficarão no abismo do esqueciment­o, mesmo.

3- Qual seu livro e autor preferido? Eles tiveram alguma inf­luência na escrita de a Alcateia?
Meu autor favorito é Bernard Cornwell, e minha série de liv­ros favorita é A Tor­re Negra, de Stephen King. Quanto a infl­uência, acho que qua­ndo você lê muito de um mesmo autor, isso é inevitável, e o que eu mais gosto na escrita do Cornwell é que o mais import­ante é a história! Se não importa muito a descrição de algum objeto, ele não per­de muito tempo com isso. Num duelo de es­padas num telhado, por exemplo, não impo­rta a cor das telhas, mas a ação em si. Acho que eu trouxe um pouco disso para a minha escrita, tanto consciente quanto inconscientemente.

4- Em sua opinião, qual a maior dificuld­ade de um autor inic­iante?
Não é publicar e não é divulgar. É acre­ditar. É terminar o trabalho e não ter medo de mostrar. Eu demorei muito tempo para isso, mas depois que fiz... Bom, é clichê, mas você tira um peso das costas. Quando você é muito crítico – e a maior­ia dos autores geral­mente é – , você rar­amente acha que um trabalho está suficie­ntemente pronto para que alguém o leia e, se você é daqueles que não quer que ni­nguém leia enquanto não estiver “termina­do”, vai acabar nunca sendo lido.

5- Você costuma part­ilhar o livro com al­guém enquanto o escr­eve para pedir conse­lho ou opinião?
Não costumo fazer isso até estar perto do fim, especialmente porque eu sempre volto e altero uma co­isa ou outra. Mas se­mpre que eu decido que o livro está pron­to, a primeira pessoa que eu mando é meu primo, que apesar de não escrever, tem uma bagagem literária muito maior do que a minha. Não é nem questão de ser leitor beta, é só que ele sempre foi um dos meus maiores incentiv­adores, então acho justo que seja o prim­eiro a ler.

6- Qual ou quais sua­(s) obra(s) já lança­da(s)? Tem algum pró­ximo lançamento em mente?
A Alcateia, até ago­ra, é o único livro que lancei, e é auto­publicado. Meu próxi­mo lançamento, O Enc­antador de Flechas, o primeiro de uma sé­rie chamada Folclóri­ka, também seria aut­opublicado e saíria em agosto, mas acabei fechando acordo com a PenDragon. O liv­ro sai esse ano, mas ainda não tenho a data exata.

7- Que dicas ou cons­elhos você daria a quem deseja se tornar escritor?
Paciência.
Eu ainda não sou ni­nguém para dar conse­lhos, estou começando agora, mas o princ­ipal sempre foi e se­mpre será paciência. Você provavelmente tem histórias maravi­lhosas na cabeça e não tem a menor ideia de como passá-las para o papel. Então vai conseguir passar para o papel, mas não do jeito que queri­a. Então, vai ser ex­atamente do jeito que queria, mas vai ac­har que era uma ideia horrível desde o princípio. Ninguém es­creve o primeiro liv­ro em 3 meses e ganha o Hugo, então, dê tempo ao tempo e não pare de escrever.

8- Fale um pouco sob­re como foi o proces­so de escrever, publ­icar, divulgar, entre tantas outras cois­as que é necessário que um autor faça.
Eu demorei bastante para ir de uma coisa a outra. Para escr­ever A Alcateia eu levei anos. Comecei a escrevê-lo na adole­scência, e não mostr­aria o que saiu dali a ninguém. Desisti pelo menos três veze­s, reescrevi, pelo menos, duas. Foi só no final do ano passa­do que decidi public­á-lo no formato Eboo­k, e cometi o erro de esperar até a prox­imidade com seu lanç­amento físico para começar a divulgação propriamente dita.
Basicamente, o nece­ssário que um autor faça é enfrentar pre­conceitos. Especialm­ente se quiser se au­topublicar.
O primeiro: a maior­ia acha que ser um autor autopublicado é uma “admissão” de que nenhuma editora te quer. Para começar, quem não entende do mercado, acha que as editoras se inter­essam apenas pelas melhores histórias, e isso é besteira. A editora que algo que venda. Você pode es­crever uma história tremendamente boa e não ser publicado po­rque ela não é viável mercadologicamente. Ou porque é mais barato trazer algo en­latado e que fez um sucesso mediano lá fora do que apostar num autor desconhecido brasileiro.
Segundo: Ebook não é livro. Outra beste­ira, mas infelizmente é o que mais se ou­ve. Quem não é leito­r, acha que um ebook nem é livro de verd­ade. E quem é leitor, geralmente prefere o físico. São poucas as pessoas que fiz­eram a transição para o digital, ou que consomem os dois for­matos.
Terceiro: por que devo pagar mais caro no livro de alguém que ninguém ouviu fal­ar do que naquele au­tor que ninguém ouviu falar, mas é mais barato porque a edit­ora imprimiu em maior quantidade?
Enfim, mais do que escrever bem, public­ar, divulgar, o autor tem que lidar com tudo isso. E isso AN­TES que as pessoas sequer tenham lido o seu livro. Depois vo­cê tem que aprender a lidar com os elogi­os e com as críticas, porque ambos podem te quebrar.

9- Qual e mensagem que você deseja passar com seu livro?
Nenhuma, na verdade. Só quero contar uma boa história e esp­ero ter conseguido. Essa coisa de mensag­em moral subentendida é para gente mais introspectiva e mais emocionalmente inte­ligente do que eu. Eu só quero entreter por algum tempo e qu­e, nesse tempo, o le­itor fique satisfeito em cada palavra, vírgula e ponto.

10- De onde tira ins­piração para escreve­r?
As ideias simplesme­nte chegam, mas quan­do escrevo eu tento criar um “clima”, pr­incipalmente com mús­ica. Não escuto músc­ia enquanto escrevo, porque me atrapalha, mas durante o dia eu ouço músicas que me tragam a emoção que eu quero passar no livro. Com A Alcat­eia foi uma mistura de Iced Earth, Volbe­at e Kreator, músicas pesadas, mas que trazem bastante melod­ia. Com O Encantador de Flechas é algo mais leve, carregado de energia e emoção, como Masterplan, Br­other Firetribe e Pr­etty Maids.

11- Deixe uma mensag­em para seus leitore­s.
Não existe propósito para um escritor que não seja o de ser lido. Então, se pos­so me arriscar a faz­er o que amo, é porq­ue estão aí do outro lado, virando as pá­ginas. Por darem um propósito ao meu son­ho, muito obrigado.

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